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quinta-feira, maio 02, 2013

O preconceito no ambiente acadêmico

Reprodução

    Cada vez mais brasileiros e brasileiras, sem importar raça, sexo, cor e opção sexual ingressam no ensino superior. Segundo os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE 51,3% dos estudantes brasileiros entre 18 e 24 anos estão na universidade. Assim o ambiente acadêmico está mais diverso, repleto de estilos, crenças e credos, fazendo um conviver com a diferença do outro.

    Com tantas diferenças surge um grande lema da sociedade, o preconceito. De acordo com o  coordenador do Serviço de Orientação e Atendimento Psicopedagógico (Soap) da Facitec, Arnaldo Cerqueira, o preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória diante de pessoas, lugares ou tradições consideradas diferentes ou estranhas. “A sua existência vem desde a formação da sociedade, porque é uma forma de julgamento”, afirma Arnaldo.

    Hoje em dia casos de discriminação estão ocorrendo com maior frequência dentro de faculdades e universidades. Recentemente uma estudante de agronomia da Universidade de Brasília (UnB) foi vitima de agressão dentro do campus, ela recebeu socos e pontapés do agressor, enquanto ele a chamava de “lésbica nojenta”. Neste caso o coordenador psicopedagogo, Arnaldo Cerqueira, explica que fica claro a escolha pela diferença em relação à opção sexual: “A homofobia é um dos preconceitos mais danosos para a sociedade, porque passa por cima do direito de escolha. É completa falta de respeito com o outro e pode, as vezes, essa agressividade estar demonstrando uma projeção, tipo, ‘ela está fazendo o que eu gostaria de fazer e não tenho coragem, ou não aceito em mim’. A opção sexual não limita o ser humano, nem o faz menor ou maior. Por isso deve ser respeitada. E sempre que houver pessoas homofóbicas manifestando a sua frustração, deve ser denunciada à polícia, para garantir seu direito líquido e certo de ir e vir.”

     A faculdade é responsável por formar pessoas e abrir diferentes olhares do estudante para o mundo. Sendo assim a diferença dentro do ambiente acadêmico é motivadora, busca-se o não julgamento. Incentiva-se às capacidades de produção, motivação e conhecimento, independente de qualquer coisa. Mas são as diferenças que dão um impulso ao mundo. "Se considerarmos que somos seres únicos, que ninguém é igual, que não existe duas digitais iguais, vamos entender que as diferenças sempre irão existir, e isso não é ruim, é apenas uma identidade importante. Somos movidos pelas diferenças e são elas que descobrem o mundo" acrescenta Arnaldo.

     O coordenador Arnaldo Cerqueira explicou ainda que viver com as diferenças independe de espaço acadêmico ou social, porque faz parte do quadro social. Em todas as sociedades há a diferença e a discriminação. Em algumas mais em outras menos. No ambiente acadêmico as diferenças devem ser tratadas como naturais, respeitando-se os limites e potencialidades de cada um. "O preconceito é um julgamento e no meio acadêmico isso tende a ser minimizado, mas não acabado", ressalta o psicopedagogo.

     Ao ser questionado se é possível o preconceito dentro das instituições de ensino, o coordenador diz que nenhuma instituição tem como evitar que isso aconteça dentro do seu ambiente acadêmico porque não existe controle. "As pessoas homofóbicas são disfarçadas e não sabemos quem são", afirma. Mas é visando evitar que o Grupo de Combate à Homofobia da UnB distribuirá cartilha anti-homofobia aos estudantes no próximo semestre, para combater a violência homofóbica no ambiente acadêmico.

    Uma maneira específica para conviver com o preconceito não existe, mas existe a vontade de cada um fazer o mundo ser um lugar de paz. "As diferenças sempre vão existir, o preconceito também, e a melhor forma de lidar com elas são ignorá-las e se agredido, reagir no exercício do seu direito" conclui Arnaldo Cerqueira.



                                                                                                              Por: Wesley Ferreira

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