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quinta-feira, maio 08, 2014

Em defesa de Rachel Sheherazade


(Foto: reprodução internet)

  Novamente saio em defesa da jornalista Rachel Sheherazade. Agora com o recente caso da mulher espancada e morta por "justiceiros" no Guarujá-SP, mais uma vez Sheherazade está sendo atacada por uma parcela de grande alarde nas redes sociais e por uma pequena minoria da imprensa que não tem a mesma coragem de dizer aquilo que pensa. Andam afirmando que seu comentário sobre o menino amarrado no poste é o resultado na prática de sua opinião. Esquecendo-se que casos onde a população faz justiça com as próprias mãos é um problema que carece de solução por autoridades e defensores dos Direitos Humanos, antes mesmo de Rachel existir ou de se posicionar diante de um fato na televisão. 

  Voltando lá atrás no comentário quando a jornalista propôs a campanha "adote um bandido" aos defensores mediáticos dos Direitos Humanos, ela não defendeu, e nem eu estou aqui defendendo (longe de mim tamanha desumanidade) a ação desses bandidos denominados "justiceiros". Para quem acompanhou o noticiário no dia, ficou claro que a jornalista atacou a omissão do governo de dar àquelas pessoas a segurança necessária (o que levaram a cometerem tal crime), ou seja, não foi uma defesa a ação desses falsos heróis. É só prestar atenção no vídeo, ver, rever e interpretar. 

  O problema é que o povo interpreta como quer pensar! Talvez Sheherazade tenha até pecado por não usar palavras mais objetivas e de simples compreensão. Colocar brasileiro para pensar é difícil e deu no que deu. Mas, mesmo assim, não justifica essa interpretação maliciosa feita para lhe prejudicar e que até hoje está rendendo discussão. Duvido, e o Ibope até prova, que nem três em cada 10 pessoas que criticam Rachel tenham acompanhado o telejornal apresentado por ela, mesmo assim, fazem valer o seu direito de opinar, assim como ela tem e o fez. Outros vão na onda, pelo modismo e espelha sua opinião a mesma predominante do grupo em que quer se encaixar, "tadinhos", eles não querem ficar de fora, então criticam sem saber, sem acompanhar e nem, ao menos, refletir se realmente o fato se comprova.

  Há quem diga que ela é jornalista e seu dever é ser imparcial, estão corretos! Isso é óbvio. Mas antes deviam conhecer o formato do telejornal apresentado, mostrando, outra vez, sua carência de conhecimento antes da crítica. Vou explicar: o formato do SBT Brasil até recentemente abria espaço para seus apresentadores,  Rachel Sheherazade e Joseval Peixoto,  e, para os seus comentaristas, até então,  José Neumanne Pinto, Denise Campos de Toledo e Carlos Chagas, darem as suas opiniões. Leiam bem o eu escrevi: "para darem as suas opiniões", simples assim. Não existe opinião imparcial, você pensa de uma maneira e pronto. 

  Outro ponto que vejo nessa história é que cobrar do Estado omisso para os repudiadores de Sheherazade  é demais, é mais fácil colocarem a culpa na jornalista, do que pedir aos governantes justiça para quem sofre com essas barbaridades feitas pelos "justiceiros". Mas não, preferem recorrer ao lado mais fraco da corda. Até políticos já estão aproveitando dessa situação para desviarem o foco da sua incompetência.

  Por fim, o "Efeito Sheherazade" (como vi numa campanha maldosa por aí) de nos trazer a tona o conhecimento de casos como esse, de abrir nossos olhos para a corrupção e de nos levar temas para o debate, independentemente de concordar com ela ou não,  acabou. Talvez sejam heranças culturais de um país que por muito tempo viveu na ditadura. 

  Tenho admiração total pela Rachel Sheherazade, mulher que não tem medo de dizer o que pensa, isso faz falta nos dias de hoje.

                                  Por: Wesley Ferreira